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Dr. Roberto Conte, oftalmologista, CRM 18894
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Córnea

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Doenças da córnea

A córnea é a primeira lente do olho. Quando ela muda, a imagem muda junto.

Esta página explica o que a córnea faz, quais condições costumam afetá-la, que exames mostram cada uma delas e como os tratamentos se diferenciam conforme o diagnóstico.

Conteúdo informativo. Cada olho é diferente, e nada aqui substitui a avaliação presencial.

O que é

A primeira lente do olho

A córnea é a estrutura transparente que fecha a frente do olho, com cerca de meio milímetro de espessura no centro.

Ela não tem vasos sanguíneos, e é justamente essa ausência que a mantém transparente. Também não é apenas uma janela: a córnea responde por cerca de dois terços da capacidade de focalizar do olho. Qualquer mudança na sua curvatura, na sua espessura ou na sua transparência altera a imagem que chega à retina.

São cinco camadas, e cada uma adoece de um jeito diferente. Por isso o diagnóstico preciso pesa tanto aqui: duas pessoas com a mesma queixa de visão embaçada podem ter problemas em camadas distintas, com tratamentos que não se parecem em nada.

Corte esquemático do olho, com a córnea, o cristalino e a retina destacados, e os raios de luz convergindo na retina
Córnea
A lente externa transparente. É por ela que a luz entra no olho.
Cristalino
A lente interna. É ela que perde a transparência na catarata.
Retina
O tecido onde a imagem se forma e é enviada ao cérebro.

Condições

As condições que mais afetam a córnea

Algumas evoluem em anos e quase não dão sinal. Outras se instalam em dias e são urgência. A diferença entre elas é o que a avaliação precisa estabelecer.

Ceratocone

A córnea afina e vai assumindo um formato mais cônico. A visão fica distorcida e o grau muda com frequência, sobretudo o astigmatismo. Costuma se manifestar na adolescência ou no começo da vida adulta e pode progredir. O acompanhamento com exames de imagem é o que permite identificar a progressão a tempo de agir.

Distrofias da córnea

Alterações de origem genética que costumam afetar os dois olhos e evoluir lentamente. Conforme a camada atingida e o estágio, podem causar embaçamento, sensibilidade à luz ou episódios de dor ao acordar.

Ceratites: infecções e inflamações

Infecções por bactérias, vírus, fungos ou protozoários. Dor, vermelhidão, sensibilidade à luz e queda rápida da visão são sinais de alerta. O uso inadequado de lentes de contato é um dos fatores de risco mais comuns. Pede avaliação imediata.

Cicatrizes e opacidades

Marcas deixadas por traumas, infecções ou cirurgias anteriores. Conforme a localização e a profundidade, podem reduzir a transparência e comprometer a visão de forma permanente.

Alterações da superfície ocular

Olho seco e disfunção das glândulas responsáveis pela camada oleosa da lágrima. Ardência, sensação de areia e visão que oscila ao longo do dia, melhorando ao piscar. É a queixa mais frequente do consultório e uma das mais subestimadas.

Degenerações

Alterações ligadas à idade ou à exposição ambiental, como o pterígio, aquela membrana que avança sobre a córnea a partir do canto do olho, associada à exposição ao sol e ao vento.

Lâmpada de fenda em uma sala de exames, com o feixe de luz aceso
A lâmpada de fenda: o exame que mostra a córnea camada por camada.

Exames

Como a córnea é avaliada

A lâmpada de fenda mostra muita coisa, mas não mede. Os exames de imagem existem para transformar o que se vê em número, e é o número que permite comparar hoje com o ano passado.

Topografia e tomografia de córnea

Mapeiam a curvatura e, no caso da tomografia, também a espessura e a face posterior. São os exames que identificam o ceratocone cedo e acompanham a sua progressão.

Paquimetria

Mede a espessura da córnea. Entra no diagnóstico do ceratocone, no planejamento de procedimentos e na leitura correta da pressão intraocular.

Microscopia especular

Conta e analisa as células do endotélio, a camada mais interna, responsável por manter a córnea desidratada e transparente. Essas células não se multiplicam, e por isso a contagem importa.

Avaliação da superfície ocular

Testes de produção e de estabilidade da lágrima, além da análise das glândulas palpebrais.

Tratamentos

O tratamento segue o diagnóstico

Não existe tratamento para doença da córnea. Existe tratamento para aquele diagnóstico, naquele estágio, naquele olho.

Clínico

Colírios, lubrificantes, controle da inflamação e tratamento das infecções. Resolve boa parte dos casos de superfície ocular e é a base do tratamento das ceratites.

Óptico

Óculos e lentes de contato especiais, incluindo as rígidas e as esclerais, que devolvem uma superfície regular a córneas irregulares.

Crosslinking

Procedimento que reforça as ligações do colágeno da córnea, com o objetivo de estabilizar a progressão do ceratocone. Não corrige o grau: procura impedir que ele continue piorando.

Anel intraestromal

Segmentos implantados na espessura da córnea para regularizar o formato, em casos selecionados de ceratocone.

Transplante de córnea

Substituição do tecido doente por tecido doador. Quando é possível, troca-se apenas a camada comprometida em vez da córnea inteira.

A indicação de cada um depende dos exames e do momento da doença. Um mesmo diagnóstico pode pedir condutas diferentes em dois momentos distintos.

Sinais

Quando procurar avaliação

Procure uma consulta caso perceba:

  • Dor ocular
  • Vermelhidão persistente
  • Sensibilidade excessiva à luz
  • Visão embaçada ou distorcida
  • Mudanças frequentes de grau, principalmente do astigmatismo
  • Sensação de areia ou de corpo estranho
  • Halos ao redor das luzes
  • Secreção

Se você usa lentes de contato e sentiu dor, vermelhidão ou queda de visão, tire as lentes e procure avaliação no mesmo dia.

Perguntas

Perguntas frequentes

Ceratocone tem cura?

Não existe um tratamento que devolva à córnea o formato original.

O que existe hoje são recursos para estabilizar a progressão e para recuperar a qualidade da visão. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais opções há sobre a mesa.

Quem tem ceratocone pode usar lente de contato?

Em geral sim, e muitas vezes é a lente que devolve a visão nítida.

O tipo é escolhido conforme o formato da córnea. Lentes rígidas e esclerais são comuns nesses casos, porque criam uma superfície regular sobre uma córnea irregular.

Coçar o olho faz mal?

Faz. O ato repetido de coçar com força está associado à progressão do ceratocone.

É uma das orientações mais simples do acompanhamento e uma das mais importantes. Quando existe coceira persistente, ela também precisa ser investigada e tratada.

Olho seco tem tratamento?

Tem, e não é um colírio qualquer.

O tratamento depende de qual parte da lágrima está falhando: a camada aquosa, a oleosa ou a estabilidade do filme. Isso se identifica no exame, e a conduta muda conforme a resposta.

O transplante de córnea pode ser rejeitado?

A rejeição é possível, e é por isso que o acompanhamento depois de um transplante é longo.

As técnicas que substituem apenas a camada doente, em vez da córnea inteira, tendem a apresentar menos rejeição.

Uso lente de contato e nunca tive problema. Preciso de consulta?

Sim. Boa parte das complicações relacionadas às lentes começa sem sintoma nenhum.

A consulta periódica avalia a superfície ocular e a adaptação antes de a queixa aparecer.

Contato

Uma avaliação da córnea começa por entender a sua queixa

Se a sua visão mudou, distorceu ou incomoda, agende uma consulta.

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