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Dr. Roberto Conte, oftalmologista, CRM 18894
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Catarata

Início/Cirurgia de catarata

Cirurgia de catarata

Quando a catarata começa a interferir nas atividades do dia a dia, a cirurgia pode ser indicada.

Esta página reúne o que costuma ser perguntado na consulta: o que acontece dentro do olho, como o diagnóstico é confirmado, o que a avaliação pré-operatória mede, como a cirurgia é feita e o que esperar da recuperação.

Conteúdo informativo. Cada olho é diferente, e nada aqui substitui a avaliação presencial.

O que é

O cristalino perde a transparência

O cristalino é a lente natural que fica dentro do olho, logo atrás da íris.

Em um olho jovem essa lente é transparente e flexível: a luz a atravessa sem obstáculo e a imagem chega nítida à retina. Com o tempo, as proteínas que a formam se reorganizam e ela vai perdendo transparência. É isso que se chama catarata.

Na maior parte dos casos a catarata está ligada ao envelhecimento e se instala devagar, ao longo de anos. Ela também pode aparecer por outras razões: traumas no olho, uso prolongado de corticoides, diabetes, cirurgias oculares anteriores, exposição intensa à radiação ultravioleta e, mais raramente, já estar presente no nascimento.

Vale desfazer dois mal-entendidos comuns. A catarata não é uma película que cresce por cima do olho, e não tem relação com usar demais a visão. É a própria lente interna que se torna opaca.

Corte esquemático do olho, com a córnea, o cristalino e a retina destacados, e os raios de luz convergindo na retina
Córnea
A lente externa transparente. É por ela que a luz entra no olho.
Cristalino
A lente interna. É ela que perde a transparência na catarata.
Retina
O tecido onde a imagem se forma e é enviada ao cérebro.
Detalhe aproximado de um olho humano, com a íris e a pupila em foco
A luz atravessa a córnea e o cristalino antes de virar imagem.

Sinais

Como a catarata aparece no dia a dia

A perda de transparência é gradual, e é justamente por isso que ela passa despercebida.

Muita gente percebe primeiro pela dificuldade de dirigir à noite, pelo brilho excessivo dos faróis e das lâmpadas, ou pela necessidade de trocar o grau dos óculos com mais frequência do que antes.

A leitura fica embaçada, o contraste diminui e as cores perdem intensidade.

Com catarataVisão nítida

Simulação ilustrativa. A percepção varia conforme o tipo e o grau da catarata de cada pessoa.

Principais sinais

  • Visão embaçada ou nebulosa
  • Halos ao redor dos pontos luminosos
  • Dificuldade para enxergar à noite
  • Cores menos intensas, com tendência ao amarelado
  • Troca frequente no grau dos óculos
  • Redução progressiva da qualidade visual

Diagnóstico

Como o diagnóstico é confirmado

A catarata é identificada na consulta oftalmológica. Antes de falar em cirurgia, o exame precisa responder a duas perguntas: existe catarata e o quanto ela explica a queixa de visão.

Acuidade visual

Mede quanto você enxerga, com e sem correção. É o ponto de partida para acompanhar a evolução ao longo do tempo.

Biomicroscopia

O exame na lâmpada de fenda mostra o cristalino em detalhe e permite classificar o tipo e o grau da opacidade.

Fundo de olho

Avalia a retina e o nervo óptico. Importa porque outras condições podem estar limitando a visão junto com a catarata, e isso muda a expectativa do resultado.

Pressão intraocular

Faz parte da avaliação de rotina e ajuda a investigar o glaucoma.

A avaliação pré-operatória

Confirmada a indicação, começa a etapa que define a estratégia da cirurgia. É aqui que o planejamento é feito.

Biometria

Mede o comprimento do olho e a curvatura da córnea. É desse cálculo que sai o grau da lente intraocular que será implantada.

Topografia da córnea

Mostra o formato da superfície. Identifica o astigmatismo e alterações que influenciam na escolha da lente.

Avaliação da córnea e da retina

Confirma que as demais estruturas estão em condições de sustentar o resultado visual pretendido.

Impressões de topografia de córnea e de um corte tomográfico sobre a mesa
Os mapas que definem a estratégia da cirurgia e o grau da lente.

Cirurgia

Como a cirurgia é feita

A técnica usada hoje é a facoemulsificação.

Por uma incisão pequena, o cristalino opacificado é fragmentado por ultrassom e aspirado. No lugar dele entra uma lente intraocular, que passa a fazer o papel da lente natural.

O procedimento é ambulatorial e costuma ser feito com anestesia tópica, por colírio, com sedação leve quando necessário. Opera-se um olho por vez.

  1. Avaliação

    Confirmação do diagnóstico e conversa sobre como a catarata está afetando a sua rotina.

  2. Exames e medições

    Biometria, topografia e avaliação das demais estruturas do olho. É o que orienta a estratégia e a escolha da lente.

  3. Cirurgia

    Remoção do cristalino opacificado e implante da lente intraocular definida no planejamento.

  4. Acompanhamento

    Retornos programados para acompanhar a recuperação e a adaptação da visão.

As lentes intraoculares

Não existe uma lente melhor que as outras. Existe a lente mais adequada para o seu olho, para a sua rotina e para o que você espera enxergar.

Monofocal

Corrige a visão em uma única distância, em geral a de longe. É a opção mais estabelecida e costuma manter a necessidade de óculos para perto.

Tórica

Além da distância, compensa o astigmatismo da córnea. Exige medidas precisas e um posicionamento específico durante a cirurgia.

Multifocal e de foco estendido

Distribuem a luz em mais de um ponto de foco, com o objetivo de reduzir a dependência dos óculos. Não são indicadas para todos os olhos, e a adaptação varia de pessoa para pessoa.

Cada olho é único.
Por isso, cada cirurgia também é planejada de forma individual.

Recuperação

O que esperar depois

A visão costuma melhorar já nos primeiros dias, mas a estabilização leva algumas semanas. Esse tempo varia de pessoa para pessoa, e o acompanhamento existe para ler essa variação.

Os colírios

O esquema prescrito é parte do tratamento, não um detalhe. Anti-inflamatórios e antibióticos seguem um calendário próprio, que precisa ser cumprido.

Os retornos

As consultas de acompanhamento são marcadas desde o dia da cirurgia e não devem ser adiadas mesmo quando a visão parece boa.

Os primeiros dias

Não coçar nem apertar o olho, evitar esforço físico intenso, piscina, mar e ambientes com muita poeira.

O grau dos óculos

Quando ainda for necessário, só é prescrito depois que a visão estabiliza.

Dor forte, piora súbita da visão, vermelhidão intensa ou secreção pedem contato imediato.

Perguntas

Perguntas frequentes

A catarata volta depois da cirurgia?

Não. O cristalino removido não se refaz.

O que pode acontecer, meses ou anos depois, é a cápsula que sustenta a lente intraocular perder transparência. É uma situação diferente da catarata e costuma ser resolvida em consultório, com uma aplicação de laser.

Existe colírio ou remédio que trate a catarata?

Não há tratamento clínico que devolva a transparência ao cristalino. A cirurgia é a única forma de resolver a catarata.

Enquanto a opacidade é discreta, uma troca no grau dos óculos pode ajudar por um tempo.

Preciso esperar a catarata amadurecer?

Essa recomendação vem de uma época em que as técnicas cirúrgicas eram outras.

Hoje a indicação depende de quanto a catarata está atrapalhando a sua vida, não do estágio dela. Cataratas muito avançadas tendem, inclusive, a tornar a cirurgia mais trabalhosa.

A cirurgia dói?

O procedimento é feito com anestesia e não costuma ser doloroso.

Nos primeiros dias pode haver sensação de areia ou desconforto leve. Dor forte não é esperada e deve ser comunicada.

Vou parar de usar óculos?

Depende do seu olho e da lente escolhida. Nenhuma lente intraocular garante independência total dos óculos.

Essa conversa acontece antes da cirurgia, com os exames na mesa.

Os dois olhos são operados no mesmo dia?

Não. Opera-se um olho de cada vez, com um intervalo entre eles definido conforme a recuperação do primeiro.

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